* Por Wagner Merije *

Entre 1901, ano da primeira edição, e 2017, 114 escritores e escritoras foram laureados com o Prêmio Nobel de Literatura. Nesse extrato de grandes nomes – 100 homens e 14 mulheres, quantos tem “casa de escritor”?

Já fizeste esta pergunta? A resposta o Google não tem! Para respondê-la com precisão talvez fosse necessário sair por aí a visitar dezenas de países para checar in loco. (Isso não é lá má ideia. Se tiver quem apóie, eu mesmo sou candidato a ir.)

E dentre todos esses escritores e escritoras laureados com o maior prêmio da literatura mundial, quantos conhecemos a obra? Essa pergunta é para incomodar aqueles que estão dedicando pouco tempo à leitura, mas também revela uma certa distância entre os prêmios e os leitores.

De todo modo, o que nos interessa é conhecer “casas de escritores”, saber como elas surgem, a que se propõe, de que forma são geridas e como contribuem para a “canonização” dos eleitos.

Seguindo em frente, dentro desse nosso campo de análise, é possível dizer que os escritores ou escritoras menos lembrados ou conhecidos, e justamente por isso, correm o risco de não terem “casa de escritor”?

Depende de um momento de fatores o “erguer” uma “casa de escritor” e, depende, principalmente, de uma combinação deles, como por exemplo: a admiração que este escritor ou aquela escritora foi capaz de deixar em seus leitores, a ponto desses leitores, sejam eles civis, políticos ou empresários, prestarem homenagem a quem lhes tocou a alma enquanto vivo/viva; e/ou a família do escritor/a ter a iniciativa de manter o local da memória do familiar ilustre, e ter recursos para isso; ou os historiadores conseguirem identificar os endereços por onde viveram os escritores mais antigos (por quê nem sempre isso é possível ou consensual) e conseguirem o tombamento do imóvel, em nome da memória; e, creio, mais importante, tenha alguém de fato disposto/a a empenhar sangue, suor e lágrimas para cuidar do legado da obra e do nome. Aí pode ser que o escritor ou a escritora esteja vivo. Mas é mais comum casas em nome de mortos.

Em termos conceituais, quandos esses empreendimentos ganham vida e forma, passam a atender por “Casa + nome do escritor/a”; ou “Casa-Museu + nome do escritor/a”; Alguns viram instituto. E outros fundação. Designações essas que afirmam propostas de ação e orientam enquadramentos jurídicos.

Não é de hoje que se diz que por trás de uma verdadeira casa existe sempre uma grande mulher. No caso da Fundação José Saramago, em Lisboa, o dito se aplica. Muitos merecem, mas nem todos têm direito a uma fundação com uma presidenta que atende pelo sugestivo nome de Pilar del Río, a quem Saramago dedicou o Nobel.

Se o projeto da fundação tomou corpo coletivamente, como conta a história, o cérebro à frente é Pilar. Companheira do português durante os anos em que ele caminhou firme rumo à consolidação de seu nome no panteão dos notórios ganhadores do maior prêmio da literature mundial, o primeiro para um escritor de Língua Portuguesa, a jornalista e tradutora espanhola não só foi “braço direito” em vida, como mantém-se no leme depois da morte do escritor. Os versos de Alberto Caeiro, “O Tejo desce de Espanha / E o Tejo entra no mar em Portugal… Pelo Tejo vai-se para o Mundo…” (1) bem que poderiam ter sido escritos como a premeditar uma provocação a Pessoa em relação a Saramago, pelo fato do primeiro nunca ter ganhado prêmio de tal magnitude.

“A Fundação José Saramago nasceu porque uns quantos homens e mulheres de diferentes países decidiram um dia que não podiam deixar sobre os ombros de um só homem, o escritor José Saramago, a bagagem que ele havia acumulado ao longo de tantos anos, os pensamentos pensados e vividos, as palavras que cada dia se empenham em sair das páginas dos livros para se instalarem em universos pessoais e serem bússolas para tantos, a acção cívica e política de alguém que, sendo de letras e sem deixar de o ser, transcendeu o âmbito literário para se converter numa referência moral em todo o mundo. Por isso, para que José Saramago pudesse continuar a ser o mesmo, soubemos que tínhamos a obrigação ética de criar a Fundação José Saramago e assim, dando abrigo ao homem, aumentarmos o tempo do escritor, sermos também a sua casa, o lugar onde as ideias se mantêm, o pensamento crítico se aperfeiçoa, a beleza se expande, o rigor e a harmonia convivem.

Sim, decidimos criar a Fundação José Saramago, homens e mulheres que entendemos o valor da obra do escritor e da sua atitude perante a vida. Estamos conscientes da complexidade do trabalho e também do que trará às pessoas que precisam de saber que não estão sós. Somos uma Fundação que respeita o obra e a vida de José Saramago, o que significa que estamos atentos às vozes do mundo, à beleza que os homens podem produzir e à dor e ao isolamento que sofrem, e por isso cada dia tratamos de fazer com que o conceito de esperança seja algo mais que um vocábulo vazio e retórico. Não necessitamos, para intervir e ser, de autorizações nem de permissões de ninguém, basta-nos saber que somos humanos e que queremos contribuir para o processo de humanização de que um mundo em permanente processo de desumanização necessita. Perante a nossa insistência, José Saramago indicou o caminho. Temos a nossa Declaração de Princípios. Somos o que diz o papel que José Saramago assinou em Lisboa em 29 de Junho de 2007. Somos a Fundação José Saramago”, bradam aos quatro ventos pelo sítio virtual.

Nasceu assim a “casa do escritor” José Saramago em Lisboa, nove anos depois dele receber o Prêmio Nobel na Suécia.

O efeito foi ampliado. O nome de Saramago voou para todo o mundo e tornou-se reconhecido globalmente. Atualmente sua “casa” é um destino obrigatório para quem visita a “incensadíssima” e borbulhante Lisboa, turística e culturalmente falando.

Uma coisa está indissociada da outra, pois! Todo mundo que visita a capital de Portugal não foge à magia de seus escritores, de um roteiro por pontos de interesse, com direito a mergulhar em suas memórias e histórias. No ranking “informal” das figuras mais badaladas, destaque para o trio Camões, Pessoa e Saramago.

Há controvérsias, mas quanto ao mais jovem da lista, Saramago, que, ao que parece, teria ultrapassado em termos de popularidade outros grandes nomes da imensa literatura portuguesa, a favor dele pesa a contemporaneidade – foi o que viveu até mais recentemente; teve uma longa carreira de escritor, com várias distinções; teve o apoio estratégico de grandes amigos e colaboradores; e, sem dúvida, ter sido agraciado com o graal dos prêmios, o Nobel, foi um divisor de águas.

Ô de casa, dá licença para eu entrar

Quando se abre sua casa ao outro, estás a expor tuas intimidades, tuas memórias, tuas referências mais particulares, tua essência. E cada casa tem muito para contar e detalhes especiais para serem notados. É como fossem abertas as portas do coração para os merecedores de chegarem até ali.

Rua dos Bacalhoeiros, 10, Cais do Sodré, às margens do Tejo: um monumento arquitetônico dá-nos as boas-vindas à célebre “Casa dos Bicos”. Peço licença a Saramago para chegar!

Passadas as portas de vidro, várias escavações: a história desse lugar nos leva a conhecer diversas fases da evolução desta região ribeirinha, entre o período romano e a atualidade. Estão lá, à flor dos olhos, lembranças de uma mítica cidade romana, a “Olissipo”, no traçado de sua antiga muralha medieval. O profundo vem à tona, relembrando a história, a arquitetura, os materiais e métodos de construção, que estão em exposição logo na entrada da fundação.

Do alto da escada larga com degraus preenchidos com frases do mestre, surge Pilar, ela própria. Não poderíamos ter uma guia melhor. Ser bem recebido conta muito. Depois de um breve acolhimento na sala da diretoria, inicia-se a tourné pelo espaço, em sintonia com o roteiro da exposição permanente “A Semente e os Frutos”.

Passo a passo, no tempo e no espaço, vão sendo desvelados as obras (e algumas histórias por trás delas) – em 87 anos de vida, José Saramago publicou mais de 35 livros, fora as traduções que fez, antologias que organizou, e as traduções de suas obras para outras línguas. À mostra também estão fotografias, documentos, vídeos, jornais, objetos pessoais, entre outras peças, expostos ali para informar, mas que vão nos abraçando e nos fazendo cada vez mais fãs do escritor de grande talento, de apurado senso de carreira e rigoroso na construção de seu universo de palavras, pensamentos e ações.

É Pilar quem diz, em tom de lamento: “Como Saramago não imaginava a dimensão que seu trabalho ia tomar, acabou não guardando os originais e outros itens que seriam muito importante estarem aqui!”      Quem, Pilar, nesse mundo pode se dar ao luxo de se achar importante antes do reconhecimento público ou da morte?

Na Fundação José Saramago, chegamos mais perto do menino de infância pobre de aldeia e sem tradição literária na família, que veio a se tornar imortal, do adolescente serralheiro mecânico, do jornalista, do tradutor, principalmente do escritor, mas também do amante, do ativista político, do pai, do ser humano que foi. E ainda temos a chance de sofrer juntos pela estrada nem sempre amigável, de sorrir com as conquistas, de desfrutar de momentos de lazer ao lado de Jorge Amado, os dois de bermuda e corados do sol da Bahia. E tem mais: temos a oportunidade de conhecer seus avós, seus pais, de assistir a ele no palco do Nobel, já com cara de vivido, e sua companheira Pilar Del Rio, jovem, linda e luminosa, desfilando com um vestido azul escrito de palavras poéticas.

Esse José é nosso, sentimos de verdade, tão próximo a ponto de termos a liberdade de perguntar, parafraseando Carlos Drummond de Andrade: “E agora, José, para onde?”

E a resposta é um silêncio, um vazio, um nó na garganta, pois o dono da casa não está mais lá, partiu numa cauda de cometa no dia 18 de junho de 2010. Virou estrela! Para sempre José Saramago! Eterno!

E é aí que entendemos a origem do título da exposição permanente: a semente era a escrita mágica de um homem polêmico, terno e sarcástico, demolidor e pertinaz nas suas críticas à moral e à ordem estabelecida pelo poder vigente; aos governos opressores de todo o mundo; à exploração dos trabalhadores; ao servilismo; ao clero hermético e sem espírito de luz humanista. José Saramago também se notabilizou pela defesa da liberdade, dos direitos humanos e pela luta por uma sociedade mais justa, mais humana. Do que ele plantou, ficaram para nós os frutos.

Nesse processo rico e complexo, o homem e o mito se fundem. Saramago renasce e vira cânone!

Razão e sonho. Labor e memorial. Passado, presente e futuro a se falarem diante do instante que já se vai. O mundo é um enigma espetacular. Ainda necessitamos verbalizar? “Esqueçamos as palavras, as palavras, /As ternas, caprichosas, violentas, / As suaves de mel, as obscenas, / As de febre, as famintas e sedentas. / Deixemos que o silêncio dê sentido / Ao pulsar do meu sangue no teu ventre / Que palavras ou discursos poderia / Dizer amar na língua de semente? (2)

A Casa dos Bicos, edifício que Brás de Albuquerque, filho do vice-rei da Índia, Afonso de Albuquerque, mandou construir em 1523, após uma viagem a Itália, e que teve como modelo o Palácio dos Diamantes, em Ferrara, é desde junho de 2012 a sede da Fundação José Saramago. Embora seja legítimo supor que o seu primeiro proprietário gostaria que a sua casa tivesse o mesmo nome, a opinião dos lisboetas de então foi diferente. Onde alguns quereriam ver diamantes, eles não viam mais que bicos de pedra, e, como o uso faz lei, de tanto lhe chamarem Casa dos Bicos, dos Bicos ficou e com esse nome entrou na História.

Ao longo dos tempos a casa serviu a distintas funções, tanto privadas como públicas, sendo mesmo utilizada, durante algum tempo, como armazém de bacalhau. Até 2002 albergou a Comissão dos Descobrimentos, entidade que coordenou as atividades com que se comemoraram as viagens portuguesas, marco fundamental no conhecimento do mundo tal como hoje o vemos.

Conforme anuncia em seu sítio virtual, “a Fundação José Saramago pretende que este emblemático edifício seja um espaço público em que se celebrem exposições, recitais, conferências, cursos, seminários, de modo que as suas dependências sejam colocadas ao serviço da cultura. A Casa está aberta ao público, pondo assim termo a um largo período em que nem os lisboetas nem os turistas podiam apreciar os vestígios de épocas passadas que se albergam no piso térreo: um conjunto de estruturas que remonta às primeiras ocupações do espaço, um troço importante da muralha fernandina, tanques romanos (cetárias) de base quadrangular, destinados à salga e conserva de peixes (o famoso garum), e por restos de cerca moura…

O edifício é de propriedade da cidade de Lisboa, cedido, mediante protocolo assinado em Julho de 2008, à Fundação por um período de 10 anos. Renováveis.

A Fundação José Saramago não recebe qualquer subvenção pública, sobrevivendo de direitos autorais da venda de livros e de outros produtos da loja, dos ingressos cobrados para as visitas e da administração de fundos constituídos com esse fim.

No aconchego da memória pessoana

A casa onde Fernando Pessoa morou nos últimos 15 anos da sua vida (1920-35), em Campo de Ourique, carismático bairro lisboeta, é hoje uma ativa casa de cultura, onde se pode visitar o quarto do poeta, com a cômoda original sobre a qual, no chamado “dia triunfal”, Pessoa deu voz aos seus principais heterônimos.

Objetos pessoais como a máquina de escrever, os óculos e blocos de apontamentos, entre outros, complementam o acervo da Casa Fernando Pessoa, onde a memória do poeta é celebrada e guardada.

“Sê plural como o universo!”, propunha o poeta. A “casa do escritor” possui um tesouro único no mundo: a biblioteca particular desta figura maior da literatura. É muito raro conseguir-se encontrar a biblioteca inteira de um escritor com a dimensão universal de Pessoa. Os livros tendem a mover-se muito depressa: emprestam-se, perdem-se, vendem-se. Pessoa também vendeu alguns – mas deixou-nos 1142 volumes, de todos os gêneros e em vários idiomas, densamente anotados e manuscritos.

“Entendemos que uma biblioteca desta importância devia tornar-se patrimônio da humanidade – e não apenas dos que podem deslocar-se a esta Casa onde Fernando Pessoa viveu os últimos quinze anos da sua vida”, está escrito no sitio virtual da instituição.

Graças à dedicação de uma equipe internacional de investigadores coordenada por Jerónimo Pizarro, Patricio Ferrari e Antonio Cardiello, e ao apoio da Fundação Vodafone Portugal (do ramo de telefonia), foi possível digitalizar, na íntegra, toda a biblioteca e colocá-la online, tornando a disponível para leitores em qualquer parte do globo. “Trata-se de uma biblioteca aberta ao infinito da interpretação – bela, surpreendente e instigante, como tudo o que Fernando Pessoa criou. Usufruam-na.”

É na intimidade da casa, e todos os segredos que ela guarda, que particularidades sobre o morador vão sendo desveladas. Com alguns dados e muito de nossas imaginações, vamos traçando, por exemplo, “o retrato possível de Fernando Pessoa:  “Era um homem magro, com uma figura esguia e franzina, media 1,73 m de altura. Tinha o tronco meio corcovado. O tórax era pouco desenvolvido, bastante metido para dentro, apesar da ginástica sueca que praticava. As pernas eram altas, não muito musculadas e as mãos delgadas e pouco expressivas. Um andar desconjuntado e o passo rápido, embora irregular, identificavam a sua presença à distância. Vestia habitualmente fatos de tons escuros, cinzentos, pretos ou azuis, às vezes curtos. Usava também chapéu, vulgarmente amachucado, e um pouco tombado para o lado direito.

O rosto era comprido e seco. Por detrás de uns pequenos óculos redondos, com lentes grossas, muitas vezes embaciadas, escondiam-se uns olhos castanhos míopes. O seu olhar quando se fixava em alguém era atento e observador, às vezes mesmo misterioso. A boca era muito pequena, de lábios finos, e quase sempre semicerrados. Usava um bigode à americana que lhe conferia um charme especial. Quando falava durante algum tempo e esforçava as cordas vocais, um dos seus pontos sensíveis, o timbre de voz alterava-se, tornando-se mais agudo e um pouco monocórdio. A modulação da passagem de um tom para o outro acabava por reduzir o seu volume vocal natural e o som então emitido ficava mais baixo e um pouco gutural, tornando-se menos audível. Nos últimos dez anos de vida, talvez provocado pelo fumo dos oitenta cigarros diários, adquiriu um pigarrear característico, seguido de uma tosse seca. Embora não muito dado ao riso, Fernando Pessoa tinha uma certa ironia e algum humor, sobretudo se estava bem disposto, o que acontecia algumas vezes quando os amigos mais próximos o desafiavam para jantares. Curiosamente libertava-se então da sua timidez e gesticulava de um modo mecânico e repetitivo, deixando escapar um riso nervoso, às vezes irritante. Apesar de conviver com os amigos, no fundo nunca deixou de ser um homem neurastênico, solitário e reservado, pouco dado a conversar com estranhos. No final da sua vida, a melancolia e uma exagerada angústia existencial predominavam. Daí a tendência para se isolar dos mais próximos e dos próprios familiares. O seu temperamento ansioso foi interpretado por alguns dos seus biógrafos como uma personalidade do tipo emotivo não ativa. No fundo, era um tímido introvertido, dado a fortes instabilidades de sentimentos e de emoções.
Dotado de um caráter bastante complexo, era, apesar de tudo, um homem simples com uma grande inteligência e de uma extrema sensibilidade… era reservado e não gostava falar de si nem dos seus problemas, protegendo o mais possível a sua privacidade. Terrivelmente supersticioso, tinha momentos em que se comportava de uma forma enigmática e misteriosa, a que decerto não seria alheia a sua velha atração pelo oculto, o esotérico e a própria relação metafísica que tinha com a vida.

[…]

Sabe-se, também, que Pessoa tinha algumas fobias: não suportava que lhe tirassem fotografias, não gostava de falar ao telefone e tinha terror às trovoadas.

[…]

Sabe-se que coleccionava postais e que era filatelista. Para além de gostar de ler, e a sua biblioteca comprova os muitos livros que “devorou”, apreciava música clássica: Beethoven, Chopin, Mozart, Verdi e Wagner foram seguramente alguns dos seus compositores favoritos.

Apesar da sua vida retirada, monástica quase, Pessoa teve amigos. Tal fato não é de estranhar porque era um homem bondoso, de uma grande nobreza de caráter, sempre disponível para ajudar os outros.

[…] (3)

Pessoa, como outros grandes escritores, é um mundo a parte, para além de quaisquer paredes e telhado de qualquer casa por onde tenha estado. Mas de uma visita dessas saímos fecundados de informações e pensamentos, com aquela sensação parecida que se tinha ao visitar a casa de nossos sábios avós nos finais de semana, de onde quase sempre voltávamos cheios de novidades e descobertas.

Inaugurada em 1993, a Casa Fernando Pessoa foi concebida pela Câmara Municipal de Lisboa. É gerida por uma empresa pública. E, é assim, como a “casa” de Saramago, roteiro obrigatório para quem passa por Lisboa, ou melhor, pela literatura de língua portuguesa.

Para os admiradores do poeta das muitas faces, além do espaço “oficial”, se querem mais, já podem dormir na casa onde Fernando Pessoa viveu durante a juventude. Um casal de brasileiros descobriu o apartamento onde o poeta morou em 1905 e 1906, na Rua de São Bento, 17, recuperou-o, e o aluga a turistas. O apartamento tem 120 m2, fica situado no segundo andar de um prédio histórico datado de 1857. A sua planta é toda original. Tem dois quartos, duas salas (de estar e de jantar), uma casa de banho e cozinha adornada com raros azulejos portugueses do final do século dezenove.

O momento em que Pessoa viveu no imóvel marca o reencontro do poeta com sua terra natal. Nascido em Lisboa em 1888, ele perdeu o pai quando ainda era pequeno. Fernando Pessoa acabou se mudando para a África do Sul com apenas sete anos acompanhando sua mãe, que se casara com o cônsul de Portugal naquele país. Após ter feito todos os seus estudos em inglês, Pessoa regressa à capital portuguesa com 17 anos, para cursar Letras na Universidade de Lisboa – curso que ele viria a abandonar no segundo ano. É nesta casa, onde viveu com a tia e outros parentes, que Pessoa começa resgatar a portugalidade.

Com a consultoria de dois estudiosos da obra do poeta, António Cardiello e Fabrizio Boscaglia, os novos proprietários do apartamento decidiram incluir várias referências ao período na decoração da casa. Nas paredes, por exemplo, há vários manuscritos obtidos junto à Biblioteca Nacional de Portugal que mostram que Fernando Pessoa ainda usava predominantemente a língua inglesa em seus apontamentos. Fora exemplares de suas obras, réplica de seus óculos, entre outros objetos que remetem ao escritor do “Livro do Desassossego”, eleito recentemente como um dos 12 melhores livros de autores portugueses publicados nos últimos 100 anos. (4)

O culto a Camões

O caso de Camões é curioso. Já vão-se anos de esforços da freguesia de Constância para erguer a Casa-Memória de Camões no endereço onde o épico teria vivido entre 1548 e 1550, quando cumpria um degredo no Ribatejo. Ao que parece, falta verba e apoio.

Em outro processo em aberto, ainda hoje se debate se Camões teria morrido a 10 de junho de 1580 (ou 1579) numa casa da Calçada de Santana, em Lisboa. Há os que afirmam ser verdade e os que a contestam, ficando assim a dúvida no ar e o endereço em suspenso para visitações.

Entretanto, uma das maiores praças da cidade de Lisboa é conhecida pelo nome de Praça de Luís de Camões. Muitos também a reconhecem pelo nome de Largo de Camões ou ainda por Praça Luís de Camões, localizada no tão falado Bairro Alto.

Se o poeta do século dezesseis parece estar um pouco distante para ter merecido uma casa, é seu nome que batiza o Camões Instituto da Cooperação e da Língua (também conhecido como Camões I.P.), cuja sede é situada na Avenida da Liberdade, em Lisboa.

Não foi lá, no Palacete de Seixas, que nasceu ou morreu o heróico autor de Os Lusíadas, quem dera fosse. Trata-se de uma antiga residência familiar construída no inicio do séc. XX, com uma arquitetura de influência romântica da Escola Francesa que se tornou o endereço do Camões, I.P.  surgido em 2012 da fusão entre o Instituto Camões e o Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento.

Apesar de que no formato atual o Camões, I.P. assume a responsabilidade de coordenar e executar a política de cooperação e promoção da língua e cultura portuguesa no estrangeiro, não necessariamente focado no culto à vida e obra do escritor, a lembrança do nome do poeta soldado se mantém viva nas ações do instituto em Portugal e pelo mundo.

Destinos cruzados

Nos últimos anos tem-se ouvido falar da “Lisboa de Camões, Pessoa e Saramago”. Ora pois, esperto foi o José, que se meteu a se misturar com seus dois ilustres antecessores, como se tivesse o poder de cruzar destinos.

Saramago não só criou um canal de diálogo com Camões e seus leitores, ao escrever o texto para teatro Que farei com este livro?, como fez o mesmo em relação a Pessoa e sua legião de adoradores, quando publicou O Ano da Morte de Ricardo Reis (apontado na mesma lista dos 12 melhores livros portugueses publicados nos últimos 100 anos, e que recentemente veio a ser adotado como leitura obrigatória nas escolas de Portugal).

Há uma amálgama aí a embaralhar versos, referências geográficas, costumes, trajetórias, poucas vezes construída com tanta maestria. O que Saramago fez foi misturar tudo e todos no imaginário de quem se interessa pela Literatura de Língua Portuguesa.

É como se a linha das palavras de um costurasse a roupa do outro e a do outro, tornando-os quase que como um corpo de três cabeças. Como se diz no Brasil, esse José não é bobo não! Palmas para Saramago que, assim pode-se dizer, encontrou um dos ingredientes da fórmula do sucesso! E abriu inúmeras possibilidades, não só dentro de sua própria obra, como re-valorizando as dos outros. Melhor seria dizer que Saramago encontrou a fórmula e o sucesso!

Não é a toda que, para celebrar essa simbiose de escritas e de gênios, se juntaram a Fundação José Saramago, a Casa Fernando Pessoa, o Teatro Nacional de São Carlos e o Teatro Municipal São Luiz, no projeto “Dia(s) do Desassossego – Saramago e Pessoa nas ruas de Lisboa”.

Segundo nos conta o programa, “novembro levou-nos Pessoa e trouxe-nos Saramago. Para os celebrarmos, pegamos na palavra desassossego, impressa na capa do Livro de Bernardo Soares, semi-heterônimo de Pessoa, e na frase repetida por José Saramago, “Vivo desassossegado, escrevo para desassossegar”, para propor que os dois grandes escritores tomem as ruas e que as suas palavras ecoem, desassossegadoras, pelas ruas da cidade.” Entre as atividades previstas, constam leituras de textos, concertos, visitas às casas que mantêm vivos os espíritos dos escritores, lançamentos e um percurso pedestre pela cidade de O Ano da Morte de Ricardo Reis, que é também a da vida de Pessoa. “Façamos desse(s) dia(s) um momento em que as pessoas saiam à rua com livros nas mãos e se leia com a força criadora com que Pessoa e Saramago escreveram”, propõem os organizadores.

Missões nobres

“Sentimentalmente somos habitados por uma memória”, escreveu Saramago. O homem e o escritor, que se tornaram um só, em forma de mito, era afeito ao orgânico: “A nossa grande tarefa está em conseguirmo-nos tornar mais humanos”.

Se tem a casa, os leitores podem abrir mão do penoso ato de ir visitar o escritor no cemitério, como não o pode evitar Ricardo Reis em relação a Fernando Pessoa, lá nos anos trinta da ficção criada por Saramago.

E não é nada penoso, pelo contrário, é um convite e tanto conhecer “casas de escritores”, como as de Saramago e Fernando Pessoa, em Lisboa (sendo que Saramago também tem endereço na Vila de Azinhaga, na província do Alentejo, onde nasceu, em Portugal, e na ilha de Lanzarote, na Espanha, onde viveu); a Fundação Eça de Queiroz, em Santa Cruz do Douro (Tormes); a Casa-Museu Miguel Torga, em Coimbra (ambas em Portugal); a Fundação Casa de Jorge Amado, em Salvador, Bahia; o Museu Casa de Guimarães Rosa, em Cordisburgo, Minas Gerais; a Oficina Cultural Casa Mário de Andrade, em São Paulo, capital; a Casa do Sol, onde viveu Hilda Hilst em Campinas, São Paulo (estes últimos no Brasil); ou as casas-museus de outro ganhador do Nobel, o poeta chileno Pablo Neruda, mantidas em seu país: La Chascona, em Santiago; La Sebastiana, em Valparaíso; e Isla Negra, para ficar em alguns exemplos.

São boas lembranças que nos vem à memória. Há muitas casas por aí, em várias cidades e países, e muitos projetos para trazer endereços outros para o foco dos amantes da literatura.

Que outro lugar, se não a “casa de escritor”, para se encontrar as obras reunidas do autor, tanto as autorais quanto as referenciais, supra-sumo para os leitores.

Cada “casa de escritor” tem suas particularidades, mas todas estão a servir de templos para as ideias e as boas palavras de quem as escreveu.

Entre as funções dessas “casas de escritores”, estão missões nobres como perpetuar a memória dos escritores, colaborando na divulgação da suas obras e  promovendo o estudo da mesma, nos países onde estão localizadas e no estrangeiro; organizar, manter e, sempre que possível ampliar a biblioteca, o arquivo e museu instalados nas suas sedes; promover a realização de conferências, ciclos de estudo ou quaisquer outras manifestações adequadas aos fins em vista, podendo também estabelecer prêmios a obras literárias; realizar atividades de promoção do desenvolvimento local da região onde está instalada as sedes; promover atividades de apoio a grupo sociais desfavorecidos e/ou em risco de exclusão, situados na região onde está instalada as sedes; contribuir, em geral, para o desenvolvimento sócio-econômico e cultural da região, onde está instalada as sedes; dar atenção particular os problemas do meio ambiente e do aquecimento global do planeta (citando aqui, juntos, princípios de umas e de outras).

Tal riqueza de valores bem que deveria ser replicada e estendida a todos os escritores que contribuem com seu ofício para melhorar a humanidade, não só aqueles mais conhecidos ou premiados.

As “casas de escritores”, além de bem-vindas, são importantes marcos para a literatura, a memória, a identidade e a educação do povo. E, reafirmando um dos pilares deste trabalho, para a canonização dos autores.
Cidade-Livro / Livro-Coração

Este artigo está mais focado no estudo de caso de Saramago, Pessoa e Camões, e como tal, não seria exagero dizer que Lisboa é a “casa” desses três escritores, em sentido amplo: as ruas velhas, as praças, os mirantes, o rio, e tudo o mais. “E tu, nobre Lisboa, que no mundo facilmente das outras és princesa, que edificada foste do facundo por cujo engano foi Dardânia acesa; tu, a quem obedece o Mar profundo, obedeceste à força Portuguesa…” (5)

A capital portuguesa foi de tal modo abraçada e rearticulada pelos três companheiros de labuta em suas respectivas obras, que a ela esses heróis visionários ficaram unidos. E nesse sentido, cabe até um elogio póstumo, mas verdadeiro: “Que bela casa vocês escolheram e ajudaram a decorar, meus nomes escribas!”

Em “Palavras para um cidade”, o famoso José português escreveu: “Fisicamente, habitamos um espaço, mas, sentimentalmente, somos habitados por uma memória. Memória que é a de um espaço e de um tempo, memória no interior da qual vivemos, como uma ilha entre dois mares: um que dizemos passado, outro que dizemos futuro. Podemos navegar no mar do passado próximo graças à memória pessoal que conservou a lembrança das suas rotas, mas para navegar no mar do passado remoto teremos de usar as memórias que o tempo acumulou, as memórias de um espaço continuamente transformado, tão fugidio como o próprio tempo. (…) A minha Lisboa foi sempre a dos bairros pobres, e quando, muito mais tarde, as circunstâncias me levaram a viver noutros ambientes, a memória que preferi guardar foi a da Lisboa dos meus primeiros anos, a Lisboa da gente de pouco ter e de muito sentir, ainda rural nos costumes e na compreensão do mundo. (…) Em nome da modernização levantam-se muros de betão sobre as pedras antigas, transtornam-se os perfis das colinas, alteram-se os panoramas, modificam-se os ângulos de visão. Mas o espírito de Lisboa sobrevive, e é o espírito que faz eternas as cidades.”

Alguns lugares, são mesmo de todos. Ao rádio da cabeça vem a lembrança do fado de Fernando Mauricio: “Alfama bairro velhinho, monumento de saudade, sacrário de tradições / Tens um lugar de carinho, e de sincera amizade, nas minhas recordações // Bairro de gente do mar, de varinas e marinheiros, são fruto que nos dás / Honrados no trabalhar, alegres e galhofeiros, no descanso e boa paz //”

A Lisboa que aprendemos a admirar e amar, que cenário se fez, que parece familiar até para quem nunca lá esteve pessoalmente, essa Lisboa do fado do bairro Alfama ( o mais antigo e um dos mais típicos bairros da cidade), dos mirantes, como o de Santa Catarina, onde há uma estátua do Adamastor (personagem de Os Lusíadas), do bairro Alto, do Chiado, da Baixa Pombalina, das livrarias, dos cais, dos amores perdidos, dos delírios constantes, da miração ad infinitum, essa Lisboa existe como nunca, com sempre.

A refletir bem, a casa do escritor, da escritora, são muitos, muitas, a depender da trilha de cada um/uma, dos lugares por onde passou, viveu, pesquisou, amou, centrou sua vivência criativa e personagens, onde os cinco sentidos foram tocados e estimulados a transformar sentimentos e pensamentos em histórias. Cada qual acaba colocando um pouco (ou muito) dos seus lugares nas suas obras.

Ou seria mais poético dizer que cada bom escritor, cada boa escritora, tem um endereço no coração de cada leitor e leitora? Que poder tem a literatura para nos envolver tão firme em sua trama? Com a obra, vem a paixão!

Sem casas não haveria escritores. Sem casas não haveria ruas; e nem caminhos para se romper e nos fazer seguir mais além dos textos, para mais próximo do divino. Um desassossego, beleza criadora, amar das gentes que habitam os livros. “Uns agem sobre os homens como o fogo que queima neles e os deixa nus e reais, próprios e verídicos e esses são os libertadores”, escreveu Fernando Pessoa sobre Alberto Caeiro. O mesmo se aplica a Camões, a Saramago, a Eça de Queiroz, a Guimarães Rosa, a Jorge Amado, a Carlos Drummond de Andrade, a Miguel Torga, lembrando dos que aqui aparecem, e a tantos outros e outras mais.

Bendita as cidades que saúdam e amam seus escritores e escritoras, mais dignas, belas e vivas elas se tornam! E o bom é que há muitas “casas de escritores” para serem visitadas.

Para investigadores, como esse que vos escreve, para educadores, e para os leitores, em geral, quanto mais experiências como essas frutifiquem pelo mundo, mais chances teremos de viver mais próximos de quem tanto nos inspira.

Um adicional da era digital é que as casas do escritores também estão na internet, em websites e redes sociais, permitindo visitas virtuais, hoje em dia bastante incrementadas por recursos multimedia. E, sem sair de casa, pelas páginas eletrônicas, podemos nos fazer presentes em Lanzarote, no quarto de Saramago: “Quarto. Sentir que se acaba o dia. Neste quarto morreu José a 18 de Junho de 2010. Tomou o pequeno-almoço e quis descansar um pouco. (…) José. José. José. Está tudo bem. Às dez e meia tinha uma consulta médica. Não foi preciso ir. A essa hora, sem agonia, sem dores, sem lamentos nem prantos, com a mesma naturalidade com que havia vivido, trabalhado e amado, cerrou os olhos e deixou que a vida o fosse deixando, ou foi ele que se foi deixando ir da vida, rodeado, querido, ouvindo dizer o seu nome como o melhor dos elogios, a melhor das declarações. José. José. José. Está tudo bem. Um desenho de Rafael Alberti com dedicatória. Umas gravuras encontradas num antiquário de Budapeste, um cadeirão para onde se pudesse retirar quando o ruído exterior se tornava mais forte, uns livros, umas fotos, completam a intimidade desse quarto.” Assim está descrito no website da Casa-Biblioteca José Saramago, erguida na ilha espanhola.

As vendas dos livros do escritor aumentaram quase dez vezes nos dias seguintes à sua passagem, disseram na época fontes de duas grandes cadeias de livrarias em Portugal ao Jornal Expresso. Na cadeia Fnac, no dia da notícia triste, e nos dois dias seguintes, o aumento da procura de livros do único prêmio Nobel da Literatura de língua portuguesa atingiu 846 por cento em relação aos três dias anteriores. Já nas livrarias da Bertrand Editora o aumento de vendas de livros de Saramago registrado naqueles dias foi dez vezes superior ao ocorrido no fim de semana anterior.

Voltando à Casa dos Bicos, as cinzas de José Saramago foram depositadas junto a uma oliveira, que veio da Azinhaga, onde o escritor viu o lagarto verde com que termina  As Pequenas Memórias, e a um banco de jardim feito de mármore de Pêro Pinheiro (Memorial do Convento), em frente a onde fica a fundação em Lisboa.

Geografia da Memória Presente. Os rios das aldeias correm, o tempo passa, os regimes políticos mudam, a literatura está a ser digitalizada, mas a humanidade, é preciso reforçar, não pode abrir mão de cuidar de sua memória, de forma que possamos evoluir numa direção correta. Nada mais sério, se verdadeiramente pensássemos nisso!

E como Pessoa nos diz por muitas vozes, vem ele aqui a nos embalar com os versos de Ricardo Reis (“era como um sonho dentro de um sonho”), ou, se preferires, com a poesia do “Horácio grego que escreve em Português”: “Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio. / Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos / Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas. / (Enlacemos as mãos). / Depois pensemos, crianças adultas, que a vida / Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa, / Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado, / Mais longe que os deuses. (…) / (…) Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz, / Nem invejas que dão movimento demais aos olhos, / Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria, / E sempre iria ter ao mar.”

Citações

  1. Trecho de “O Guardador de Rebanhos”, poemasde Alberto Caeiro
  2. Trecho do livro Provavelmente Alegria, de José Saramago
  3. In: À mesa com Fernando Pessoa/Luís Machado; pref. Teresa Rita Lopes. Lisboa: Pandora, 2001.
  4. Revista Estante (Fnac) nº 11, 2016.
  5. Trecho de Os Lusíadas, Canto III, estância 57

Bibliografia

“O Guardador de Rebanhos”. In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa. (Nota explicativa e notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1946 (10ª ed. 1993). – 46.

“O Guardador de Rebanhos”. 1ª publ. in Athena, nº 4. Lisboa: Jan. 1925.

CAMÕES, Luís de. Os Lusíadas. Porto: Porto Editora, 2016.

PESSOA, Fernando. Livro do Desassossego, por Bernardo Soares. São Paulo: Brasiliense, 1986.

REIS, Carlos. Educação Literária – Leituras Orientadas – O Ano da Morte de Ricardo Reis. Porto: Porto Editora, 2017.

SARAMAGO, José. O Ano da Morte de Ricardo Reis. Lisboa: Círculo de Leitores, 1999.

SARAMAGO, José. Provavelmente Alegria. Porto: Porto Editora, 2014.

“Palavras para uma cidade” de José Saramago. Folhas Políticas 1976-1998, Caminho, 1999, pp 178 – 182. O Caderno, Caminho, 2009, pp 19 – 23

Links

Fundação José Saramago https://www.josesaramago.org (Acesso em janeiro/2018)

Casa Fernando Pessoa http://casafernandopessoa.cm-lisboa.pt/ (Acesso em janeiro/2018)

Instituto Camões http://www.instituto-camoes.pt (Acesso em janeiro/2018)

Fundação Eça de Queiroz

https://feq.pt (Acesso em janeiro/2018)

Fundação Casa de Jorge Amado – Salvador/Bahia/Brasil

http://www.jorgeamado.org.br (Acesso em janeiro/2018)

Museu Casa Guimarães Rosa – Cordisburgo/Minas Gerais/ Brasil

https://www.facebook.com/pg/museucasaguimaraesrosa.mg/about/?ref=page_internal (Acesso em janeiro/2018)

Casa de Mário de Andrade – São Paulo/SP

http://www.casamariodeandrade.org.br/

(Acesso em janeiro/2018)

Casa do sol | Instituto Hilda Hilst

https://www.hildahilst.com.br/tag/casa-do-sol

(Acesso em janeiro/2018)

http://www.flash.pt/lifestyle/vaidades/detalhe/ja-pode-dormir-na-casa-onde-morou-fernando-pessoa?photo=69909 (Acesso em janeiro/2018)

http://orapois.blogfolha.uol.com.br/2017/07/05/casal-brasileiro-recupera-antigo-apartamento-de-fernando-pessoa-e-aluga-por-temporada/ (Acesso em janeiro/2018)

https://us4.campaign-archive.com/?u=a9752c9669629879a537d3e1f&id=6c9a4421c9&e=4155ec82bc (Acesso em janeiro/2018)

http://www.cm-constancia.pt/index.php/visitar/freguesias/116-visitar/cultura/332-casa-memoria-de-camoes (Acesso em janeiro/2018)

http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/74453 (Acesso em janeiro/2018)

http://lisboadeantigamente.blogspot.pt/2016/06/casa-de-camoes.html (Acesso em janeiro/2018)

http://expresso.sapo.pt/dossies/dossiest_actualidade/dos_jose_saramago/venda-de-livros-de-saramago-aumenta-quase-dez-vezes=f589591 (Acesso em janeiro/2018)

*

Wagner Merije é poeta, escritor, jornalista, compositor, gestor cultural, curador, editor e doutorando em Literatura de Língua Portuguesa na Universidade de Coimbra/Portugal. Publicou os livros Mexidinho (2017), Astros e Estrelas – Memórias de um jovem jornalista em Londres (2017), Cidade em transe (2015), Viagem a Minas Gerais (2013), Torpedos (2012), Mobimento – Educação e Comunicação Mobile (2012) – finalista do Prêmio Jabuti 2013, e Turnê do Encantamento (2009), lançados em alguns dos principais eventos literários do Brasil www.merije.com.br

 

 

Tags: