Da redação

Com curadoria de Claudio Cretti, “Dois de paus” reúne pinturas que investigam a natureza, a memória e as transformações da paisagem

A Casa de Cultura do Parque, em São Paulo, inaugura no dia 14 de novembro a exposição “Dois de paus”, que reúne trabalhos de David Almeida e Mauricio Parra. Com curadoria de Claudio Cretti e texto crítico de Tálisson Melo, a mostra ocupa o Gabinete da instituição até 28 de fevereiro de 2027 e integra o terceiro ciclo expositivo do ano.

Embora tenham percursos e maneiras distintas de trabalhar, os dois artistas encontram na paisagem um ponto de partida para suas investigações. Árvores, plantas, céu e sol aparecem em pinturas que oscilam entre a figuração e a abstração, em experiências com materiais, suportes e procedimentos que ampliam as possibilidades de representação da natureza.

Nascido em Brasília, em 1989, David Almeida desenvolve uma pintura atravessada pela memória, pela percepção e por aspectos culturais dos lugares que observa. Suas paisagens não se limitam ao registro do que está diante dos olhos. Há nelas uma dimensão subjetiva, por vezes fantasmagórica, em que lembranças, sensações e referências culturais se misturam à imagem.

Já Mauricio Parra, nascido em São Paulo, em 1976, divide sua vida e sua produção artística entre a capital paulista e Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba. É no entorno da casa onde cresceu que encontra boa parte dos motivos de suas pinturas, como esta que ilustra a matéria. A observação cotidiana da vegetação, da luz e das mudanças da paisagem dá origem a trabalhos que também podem ser lidos como registros da passagem do tempo.

Na aproximação entre os dois artistas, a exposição propõe um diálogo que vai além das afinidades temáticas. O que está em jogo é também a maneira como cada um constrói suas imagens, entre a observação direta, a memória e as possibilidades oferecidas pela própria matéria pictórica.

No texto crítico que acompanha a mostra, Tálisson Melo chama a atenção para as relações que se estabelecem entre as obras. Elementos da natureza se aproximam de referências ornamentais e históricas, enquanto formas vegetais, linhas e superfícies criam associações inesperadas. Como num jogo, os sentidos se modificam conforme a disposição dos trabalhos e o olhar do visitante.

“Dois de paus” integra uma programação que procura estabelecer relações entre diferentes tempos, linguagens e modos de interpretar o passado. O terceiro ciclo expositivo da Casa de Cultura do Parque inclui ainda a coletiva “Entre nós e as coisas”, na Galeria do Parque, e “Linhas de origem”, de Kaya Agar, no Projeto 280×1020.

A programação conta também com a videoinstalação “A luz que a figura vê”, de Jordi Burch, apresentada nos dias 14 e 15 de novembro. No trabalho, o artista estabelece aproximações entre os sítios arqueológicos de Foz Côa, em Portugal, e da Serra da Capivara, no Piauí. Seguem em cartaz as exposições “Metragens”, de Pablo Accinelli e Gustavo Silvamaral, no deck da Casa, e “O tudo e o todo”, de André Vargas, no projeto Dando Bandeira.

Localizada em frente ao Parque Villa-Lobos, no Alto de Pinheiros, a Casa de Cultura do Parque mantém uma programação dedicada às artes visuais e a outras manifestações culturais, com exposições, apresentações musicais, encontros, cursos e oficinas.

O terceiro ciclo expositivo é uma realização do Instituto de Cultura Contemporânea (ICCo), com recursos da Lei Rouanet, do Ministério da Cultura, patrocínio do banco BV, Laranjinha e Itaú, apoio de Casal Garcia e Interfood e apoio de mídia do Catraca Livre.


Serviço:

Dois de paus

Curadoria: Claudio Cretti
Texto crítico: Tálisson Melo
Local: Gabinete — Casa de Cultura do Parque
Abertura: 14 de novembro de 2026, sábado, das 14h às 18h
Visitação: de 14 de novembro de 2026 a 28 de fevereiro de 2027
Horário: quarta-feira a domingo, das 11h às 18h

Casa de Cultura do Parque
Avenida Professor Fonseca Rodrigues, 1300 — Alto de Pinheiros, São Paulo (SP)
Telefone: (11) 3811-9264

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