D e 12 a 22 de outubro (sempre de quinta-feira a domingo), o Itaú Cultural estreia o espetáculo Maria Firmina dos Reis, Presente!, drama lítero-musical com direção e atuação de Lena Roque, que divide com Marcelo Ariel a dramaturgia da montagem. Em cena, a atriz dá vida à escritora negra maranhense Maria Firmina dos Reis (1825-1917). Ela abre uma conversa com o público sobre temas de sua época, mas que se mantém atuais, como escravatura e romantismo, abordados em seus livros, situando-a na história como uma mulher à frente do seu tempo.

As apresentações são gratuitas, como toda a programação do Itaú Cultural. Os ingressos são disponibilizados semanalmente a partir da quarta-feira anterior à apresentação, e devem ser reservados pela plataforma INTI (acesso pelo site www.itaucultural.org.br).

A peça faz uma construção poético-ficcional do que seria um encontro entre passado e presente, entrelaçando pensamentos de diferentes tempos para criar uma expansão e reconstrução da imagem viva de Maria Firmina dos Reis para o futuro. Negra, filha de uma ex-escravizada, ela foi esquecida e invisibilizada, apesar de ser a autora, entre outros, de Úrsula (1859), livro romântico e abolicionista, considerado o primeiro romance de autoria negra e feminina do Brasil.

“Me deparei com a obra da Maria Firmina dos Reis em 2022, na reabertura do Museu do Ipiranga, quando eu era uma das atrizes convidadas para representar personagens históricos. Ali, conheci o diretor Marcelo Ariel, que me convidou para um projeto sobre a autora. Acabamos chegando a esse espetáculo”, conta Lena. “Pesquisamos suas poesias e os autos de bumba-meu-boi. Daí partimos para as cinco canções da peça. Trata-se de poesias de Maria Firmina, que foram musicadas e arranjadas pelo pianista Roberto Mendes Barbosa, que divide a cena comigo junto do percussionista André Gonçalves”, completa.

Atemporal

Nesse mix entre passado e presente, textos de Maria Firmina tirados de livros como ÚrsulaA Escrava (1887), Cantos à Beira Mar (1871) e Gupeva (1861) se entrelaçam às perguntas que aparecem no espetáculo, em áudios gravados pelas escritoras e intelectuais negras da contemporaneidade Cidinha da Silva, Eliana Alves Cruz e Luciana Diogo. Assim, abre-se uma conversa entre Maria Firmina e elas, e a plateia, convidada a interagir com a personagem.

A concepção cênica também foi pensada para fazer a protagonista transitar em diferentes tempos. Os figurinos e o espaço cênico criados por Paula de Paoli, trazem o afro-punk em adereços usados pela personagem. O folclore aparece nas danças e o contemporâneo em painéis de led.

“O grande legado da Maria Firmina é que ela viveu à frente do seu tempo. A obra dela refutava a escravidão e dava voz aos escravizados. Ela foi uma mulher negra que escrevia romances e textos abolicionistas em uma época em que só homens ocupavam esse lugar. Isso foi inovador”, afirma Lena.

 

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