*Por Alexandre Staut*

Há espetáculos que se limitam a contar uma história. Rasga Coração, em cartaz no Teatro Oficina, faz algo bem mais maior: convida o público a atravessar uma experiência. Inspirado na obra de Heitor Villa-Lobos, o musical transforma os Choros em matéria cênica, reunindo música, corpo, canto e movimento numa celebração da inventividade brasileira. O resultado é um espetáculo de grande força sensorial, capaz de emocionar tanto quem já conhece a obra do compositor quanto quem se aproxima dela pela primeira vez.

Com direção de Felipe Botelho e Roderick Himeros, a montagem dialoga com a tradição antropofágica do Teatro Oficina sem perder o frescor. A música ocupa o centro da cena e é executada com vigor por uma excelente banda e por um elenco que canta e atua com entrega contagiante. Os arranjos revelam novas camadas da obra de Villa-Lobos, enquanto a encenação faz com que cada número musical pareça nascer organicamente do palco. Há beleza, energia e um profundo respeito pela riqueza da cultura brasileira, sem que o espetáculo se torne didático ou solene.

Rasga Coração é, acima de tudo, um encantamento. Da primeira à última cena, a montagem envolve o espectador numa atmosfera de intensa musicalidade e reafirma a atualidade de um dos maiores compositores do país. É uma peça que certamente conquistará os apaixonados pela música e pela cultura brasileiras, mas também aqueles que simplesmente buscam uma experiência artística viva, generosa e memorável. Ao celebrar os cem anos de Choros nº 10, o Teatro Oficina presta uma bela homenagem a Villa-Lobos e reafirma sua vocação para criar um teatro que pulsa, canta e emociona. Em cartaz nos dias 24, 30 e 31 de julho.

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